Ponto de fuga - Ilusões de ouvir campainha

03/06/2016 15:05

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Por Adriane Garcia - Poeta, nascida em Belo Horizonte. Publicou Fábulas para adulto perder o sono (Prêmio Nacional de Literatura do Paraná, 2013), O nome do mundo (Editora Armazém da Cultura, 2014) e Só, com peixes (Editora Confraria do Vento, 2016), no qual foram publicados Maturidade e A língua para fora. Os demais são inéditos.

Desde o começo foi
um desastre
Uma década e meia apenas e
Casa abaixo

Entre escombros formaram-se
Pequenas grutas
Escoras ao acaso
me deram
Improvisos de
quarto e sala

Pus flores
Sem elas poderia ser
Pior
E teci mesmo um tapete
Para sujar os pés
De alguma cor

É inseguro, sim, rangem
Pedaços que se constituíram
Teto
Mesmo o solo
Se move

Eu já não espero
Visitas.

Oferta


A preguiça luta diante da onça
Sabendo o inexorável

Humano, eu, não
Desejar a morte é um requintamento?

Fico parada, mas o predador finge
E não me ataca
(Morremos tão devagar)

Que terra! Onde o que
falamos ontem
Já não serve para mais nada

Toma, essa coisa mais vulgar
E que mais mente
Chamada
Palavra.

A língua para fora


Que triste é não ter você
Eu que inventei essa história
De gato
Agora quero um cão

Tenho objetos de decoração
E um coração vazio vazio
No cômodo de trás
Enquanto a sala abarrota

Foi uma guerra de derrotas
Digamos que eu trouxe
Destroços
E alguma sede para as águas.

Oral


Olhe bem para o
Poema

Veja se ele
Vale a pena

Se notar
Que ele não passa

De um parco
Teorema

Que tem o sangue ralo
E nem mosquito alimenta

Ou se ao invés
De voar

Ele ainda traz
Algemas

Espere-o dar
As costas

Meta a língua
No poema.

Maturidade


Hoje eu pensei que ia me afogar
Mas me lembrei de meu hábitat
E só me desloquei de um lado
Para o outro

É preciso ter paciência
É preciso saber bem o que se passa
E não enfiar a boca em qualquer
Salvação

Um tanto quanto é acostumar-se.

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