À sombra da selenita luminosidade do Lua Nova

Relatos do bar Lua Nova, no edifício Maletta

27/05/2016 13:59

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Evandro Santiago/EM
(foto: Evandro Santiago/EM)
*por Marcelo Dolabela

 

A memória é um compósito de madelaines e rosebuds. Para várias gerações, falar do primeiro bar Lua Nova, no Edifício Archangelo Maletta, é um longínquo e próximo acorde perfeito maior. É fazer uma anamnese das nossas múltiplas utopias.

 

Lembro-me do Élcio, às 16h, reunindo as duas primeiras mesas e colocando, sobre elas, uma cadeira. Era a senha. A partir de alguns minutos, a turma estaria reunida. Primeiro, o gerente, o timoneiro do imóvel transatlântico, o Senhor Isaías Golger. Depois, um a um. Adão Ventura, Beatriz Menegale, Chanina, José Nava, Sérgio Maldonado, Sr. Leão, e o mágico, ele, em seu eterno terno de pirotécnico, Murilo Rubião.


Nas mesas ao fundo, em direção à cozinha, os marujos. Os de primeira turma: Antônio Barreto, Henry Corrêa de Araújo, João Batista Jorge, Paulinho Assunção, Rita Espeschit, Thaís Guimarães e tantos outros.

 

E, no fundão, como uma turma de uma sala de aula, a galera da Poesia Marginal: eu, Adriana Bizzotto, Avanilton de Aguilar, Carlinhos Cândido, Carlinhos Rodrigues, Carlos Augusto Novaes, Carlos Barroso, Denise Mendes, Dilma Quadros, Fatinha Lamounier, Gato Jair, Ilka Boaventura, José Luiz Furtado, Juca, Luciano Cortez, Marco Antônio do Espírito Santo “Pipi”, Marconi Dolabela, Maria Inês Cândido, Murilo de Almeida, Rubinho Troll, Valéria Jacobine, Vanita de Aguilar, Virgílio Matos e outros. Singrávamos cabos das tormentas, entre epigramas, visualidades e rebeldias.

 

Rita Espeschit era a única que transitava nos três territórios. Uma espécie de Prometeu. No primeiro ciclo, com a bênção de Berenice; no segundo, seu lugar; e, no terceiro, com seus coetâneos de militância política, banco de escola, Residência Estudantil Borges da Costa e relações afetivas.

 

Murilo Rubião era um imóvel Sol. Fazia a gravidade se estabelecer como diálogo. Lei quebrada apenas uma vez. Quando Henriqueta Lisboa, etereamente, pousou no Olimpo. Ao lado do Mágico, ouvia todos, mas esperava de Rubião algum comentário. Que nunca viria.

 

Sem dúvida, a epígrafe do conto é da Bíblia, bem ao feito do Mágico; o texto, a cena. Às 22h, a mesa-picadeiro desaparecia feito um trompe-d’oeil. Os marujos tomavam o leme da embarcação. E o fogo dos deuses era, enfim, distribuído entre os mortais.

 

*Artista multimídia, poeta, roteirista e músico, autor de Coração malasarte, Letrolaria, Lorem ipsus - Antologia poética & outros poemas, entre outros



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