Muralistas e grafiteiros colorem BH e humanizam a metrópole

Projetos para criação de grafites e murais ocupam espaços públicos e equipamentos urbanos, divulgando a arte de jovens artistas da capital

por Ana Clara Brant 21/05/2016 08:00

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Euler Júnior/EM/D.A Press
O artista plástico Rogério Fernandes pinta poste na esquina da Avenida João Pinheiro com a Rua Bernardo Guimarães (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press )

“O que é isso?” “'O que está acontecendo?” “Nossa, que legal.” Ao longo dos últimos dias, essas têm sido frases bem comuns ditas por passantes do entorno da Avenida João Pinheiro, na Região Central de Belo Horizonte. Afinal, não há como deixar de reparar em um homem com uma máscara, no alto de uma escada e munido de várias tintas sprays.


Na verdade, trata-se do projeto Câmpus urbano, desenvolvido pelo artista plástico piauiense  Rogério Fernandes, de 46 anos, radicado em Minas, em parceria com a UNA. Na iniciativa, ele está transformando em verdadeiras obras de arte 16 postes na região de algumas das principais unidades da universidade: a própria João Pinheiro, e nas ruas Aimorés, Bahia e Guajajaras.


Apesar de já ter no currículo trabalhos em muros, fachadas e outros espaços públicos, foi durante a Virada Cultural do ano passado, em setembro, que Rogério pintou os primeiros postes. O projeto Mulheres e seus fios encheu de vida quatro deles na Rua Antônio de Albuquerque, na Savassi, para onde o muralista, cenógrafo, escultor e pintor se mudou essa semana com seu ateliê. “Fiquei sete anos na Rua Orenoco, no Cruzeiro, e já era hora de mudar de ares. Tenho muitos trabalhos na Savassi e o pessoal do projeto Savassi criativa me convidou. Essa região é muito interessante e tem mudado o seu perfil ao longo dos anos. Era boêmia, depois foi assumida pelos pequenos comerciantes e, agora, quer dar essa guinada de criatividade. Acho muito bacana”, ressalta.


A preparação para transformar os postes em gigantes coloridos leva mais tempo do que a própria pintura. É necessário raspá-los, retirar cartazes, panfletos e outros adereços para deixá-los mais uniformes. E em pouco menos de uma hora eles vão ganhando, cores, formas e contornos. Para fugir do barulho da rua, Rogério não abre mão de um bom fone de ouvido. “Escuto desde música clássica, passando por rock n' roll, Pink Floyd, Genesis e, de vez em quando, MPB. Ajuda na hora de concentrar”, assegura.


Para esse trabalho, Rogério Fernandes decidiu focar em temas urbanos sociais. A reportagem do Estado de Minas acompanhou a pintura do poste na esquina da João Pinheiro com Bernardo Guimarães, que ganhou um típico personagem do nosso folclore, o saci. “Quis mesclar essa coisa da cultura popular com a questão negra. Vou fazer isso em outros daqui da região. Também quero pintar um curupira (o moleque de cabelos compridos e vermelhos, cuja característica principal são os pés virados para trás) para falar da questão da acessibilidade”, revela.

PAMPULHA

 

O próximo projeto com postes, ainda sem data definida, deve ocorrer na Pampulha. A iniciativa consiste em ornamentar 10 postes de sete pontos turísticos da região, entre os quais o Museu de Arte e o Zoológico. “Ao todo, serão 70 postes. É um projeto que ainda está engatinhando, mas quero fazer algo temático, tipo pintar bichos nos postes perto do zoo, por exemplo. Os postes passam tão despercebidos no cotidiano das pessoas e a intenção dessa empreitada é permitir um novo olhar sobre eles”, justifica.


Nascido em Guadalupe, no interior do Piauí, Rogério saiu de lá aos nove meses e, curiosamente, nunca mais voltou. Como o pai trabalhava na Mendes Júnior, os Fernandes moraram em vários lugares do Brasil e do mundo. “A gente era igual cigano. Cheguei a morar em BH uma época e minha mãe gostou muito. Meus irmãos moraram aqui um tempo também. Depois de estudar em Londres e trabalhar em São Paulo, comecei a namorar uma mineira e aí voltei para cá; onde estou há 12 anos”, conta.


E não é de hoje que Rogério colore a capital mineira. O artista plástico diz que sempre gostou de pintar paredes, a começar pelas do seu quarto. Depois, foram as dos seus ateliês. O primeiro grande trabalho nas ruas foi a fachada da sede do Grupo Corpo, na Avenida Bandeirantes, no Mangabeiras. A partir de então, foram surgindo vários convites semelhantes e sua arte se espalhou por BH, incluindo as paredes do galpão do Espaço Centro e Quatro. “Essa coisa da arte nas ruas é um movimento mundial e o Brasil é um dos grandes expoentes nesse sentido, se transformou em referência. Lá fora, o pessoal pira quando você fala que é grafiteiro e é brasileiro. O nosso trabalho é muito valorizado e reconhecido”, ressalta Rogério, que também tem pinturas e grafites na Espanha, Estados Unidos, Portugal e Argentina.



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