Mauro Alvim lança livro com sete contos que traduzem o povo do interior de Minas

'Mineiríssimo' traduz a realidade e a visão de mundo dos moradores do interior de Minas Gerais

por Estado de Minas 17/05/2016 12:42

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Arquivo pessoal
(foto: Arquivo pessoal)
O dramaturgo Mauro Alvim faz sua estreia, aos 60 anos, na literatura com a publicação do livro Mineiríssimo. A obra, como o título sugere, é inspirada nos trejeitos do mineiro, especialmente os interioranos e ribeirinhos, por quem o autor tem carinho particular. “Sou de Belo Horizonte, mas meu coração é caipira”, se define Alvim, que explica ter buscado inspiração para os sete contos que compõem o livro nas narrativas orais que ouve sempre que passa pelo interior do estado. “O causo está para o mineiro assim como o repente para o nordestino”, garante o escritor, que, mesmo na dramaturgia, já flertava com essas histórias.

Meticuloso, o estreante explica que trabalhou cada conto por muito tempo. “Foram feitos em banho-maria.” As histórias, na maioria, tem como berço a cidade de Iguatama. O pequeno município, com população de pouco mais de 8 mil habitantes, é cortado pelo imponente Rio São Francisco. Os ribeirinhos, explica Alvim, sempre têm um mar de causos para contar. Mais que isso: “Ali moram os maiores filósofos do Brasil”, enaltece o escritor.

Além de pescar boas histórias no leito do Velho Chico, Mauro Alvim revela um detalhe curioso, talvez até insólito: “Um lugar bom para se ouvir causos é onde acontecem velórios. Enquanto velam o corpo, as pessoas se reúnem e compartilham casos e mais casos”, comenta.

Desde criança, o autor recorda-se de carregar o hábito de ouvir causos. A aproximação com a literatura, no entanto, veio na adolescência. “Até os 13 anos, pensava que o que era bom vinha de fora”, explica. Foi o livro O quinze, de Raquel de Queiroz, que ‘‘ganhou Alvim’’. Depois disso, vieram outros autores, alguns decisivos para sua formação. Destaque para três nomes: o carioca Martins Pena, o paraibano Ariano Suassuna e, como não podia ser diferente, o mineiríssimo Guimarães Rosa.

O livro nasce do casamento entre o amor pela literatura e a preocupação em não deixar se perder o costume mineiro de contar histórias. Contribui também a inquietação do autor, que, em muitas noites, perdia o sono. Drummond já definiu escrever como pensar com as mãos. Alvim, portanto, sempre precisava delas para esvaziar a mente antes de pegar no sono.

O lançamento do livro, no entanto, não muda o hábito do autor. Ele continua inquieto e meticuloso. Aos 60, diz que não acha que seja tarde para começar. “Não importa se eu tenho 60 ou 70 anos. Enquanto meu coração estiver batendo, as ideias estiverem vindo e eu tiver força para sentar na frente de um teclado, vou escrever.”

Mauro Alvim já tem dois romances na gaveta. Ele agora espera ver as reações do público sobre Mineiríssimo para então publicá-los. Lançar um livro no Brasil, diz, é uma aventura.

TRECHO

“Diz a sabença que nesta vida se tem jeito pra tudo, só num se tem pra morte, mas quem pensou assim, pensou errado, porque quando se quer, se passa rasteira até no vento. Eita que o tempo voa e o que parece que aconteceu transantontem, quando nós vê, já ficou pra mais de dez anos atrás. Tem que acontece coisa pra encardir! Bão... aqui na roça, a única coisa que acontece e a gente vê é o gado pastar, o galo cantar e o filho crescer”

Do conto Caboclo rico

LANÇAMENTO
Noite de autógrafos do livro Mineiríssimo (Editora Alegria, 56 páginas), com o autor Mauro Alvim. Terça (17), às 18h, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi).

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