"O Autofalante", com Pedro Cardoso

DATA

  • 03/09/2016 à 04/09/2016

LOCAL / INFO

PREÇOS

  • Plateia I (inteira):100,00
    Plateia I (meia):50,00
    Plateia II (inteira):90,00
    Plateia II (meia):45,00
    Plateia Superior (inteira):80,00
    Plateia Superior (meia):40,00

Após nove anos, o ator volta aos palcos de Belo Horizonte com o espetáculo Autofalante, nos dias 3 e 4 de setembro, no Palácio das artes
 

O multiartista Pedro Cardoso, que é ator, redator, roteirista e escritor, traz pela primeira vez a capital mineira o espetáculo Autofalante. O espetáculo foi escrito e encenado pela primeira vez em 1993, há 23 anos. À primeira vista, uma reação mal-humorada a essa reestreia seria uma indagação sobre uma suposta crise criativa desse que é, com certeza, um dos mais dotados atores de comédia da atualidade. Porém, Pedro não hesita em argumentar que Autofalante não foi vista como merecia. E, depois de assistir ao espetáculo, não há como não concordar com ele. Pedro conduz com maestria um texto primorosamente construído, realizando uma aproximação em ápice entre a mais absoluta aflição e o risível.

O monólogo de Pedro Cardoso aborda um surto identitário provocado, não apenas pelo estado de sofrimento em que se encontra o personagem (perdeu seu emprego, sua mulher, a mobília, e seu telefone não funciona), mas também por determinados tipos contemporâneos de comunicação em que nos encontramos constantemente alijados do convívio humano. O sujeito da peça é impelido a conviver consigo mesmo, algumas vezes sem se dar conta disso, e tem sua personalidade dilacerada num estágio tal, que o levou a cortar relações consigo mesmo. &ldquoEu estou falando sozinho. Eu estava falando comigo mesmo, mas falei comigo de um jeito que eu não admito, e agora estou falando sozinho&rdquo, reflete o personagem.

O humor advindo desse estado de desespero surge violento, quase trágico. O riso é generoso, e não esconde a gravidade da situação. A peça nos defronta com um terreno perigoso, o da tênue separação entre solidão e esquizofrenia, ao mesmo tempo em que trata de como a comunicação e as ideias de identidade atuais revelam tendências esquizofrênicas, expressas em nossas relações com máquinas (ou pessoas mecanizadas), ou por músicas que invadem nossas cabeças, revelando o quanto não dominamos nossos pensamentos.

Não foi à toa que Gerald Thomas certa vez declarou que Pedro era &ldquoum autor trágico que se apresenta na forma de um comediante inocente&rdquo. A peça não nega sua vocação cômica num segundo que seja, e Pedro, mesmo sozinho no palco, comporta-se num sentido inverso ao de um stand up comic. Quase não encara o público, ao contrário, fala como que voltado para si mesmo, mergulhado numa vocalização obsessiva, tomado por uma necessidade narrativa, quase que uma condição de existência. &ldquoEu vou desaparecer diante de vocês!&rdquo, repete o personagem vez após vez. É a fala o que garante a sua existência, o que o impede de deixar de ser. O outro já não pode mais atestar a sua presença, porque o outro ou não existe, ou não tem vida, ou é ele mesmo.

Autor de quase tudo o que apresentou em sua carreira teatral, Pedro Cardoso enveredou por solos autorais desde a inesperada morte de Felipe Pinheiro, seu parceiro em sucessos como A macaca (1990) e Bar, doce bar (1982). Tal como no espetáculo Os Ignorantes, Pedro é auxiliado pela supervisão do diretor Amir Haddad.

 

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